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Com olhar crítico, jovens destacam aspectos positivos e negativos de Bariri

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Pensar e criar estratégias para melhorar a cidade que vivemos. Esta é a proposta de jovens do Ensino Médio. Com olhar apurado, eles apontam os pontos fortes e fracos de Bariri, município que celebra na próxima quinta-feira, dia 16 de junho, 121 anos de história.

Os estudantes do 3º ano do Ensino Médio do Centro Educacional Sesi 143, Bruna Marques, de 17 anos, e Guilherme Mattos, 17, classificam Bariri como uma cidade tranquila, boa para viver. Mas, da mesma forma como todos os jovens entrevistados pelo Candeia, com poucas opções de lazer e cultura.

Bruna conta que morava em São Paulo e quando tinha por volta de 10 anos seus pais escolheram Bariri para morar por ser uma cidade sossegada. “Eles visitaram a cidade, gostaram, e depois outros tios também vieram. Meus pais queriam viver com mais qualidade de vida. E acho que fizeram uma boa escolha, pois se tivéssemos continuado em São Paulo eu não teria tanta liberdade como tenho aqui”, diz.

Guilherme e Bruna afirmam que são privilegiados, pois estudam em uma boa escola. “Temos bastante afinidade com toda a equipe escolar. Talvez, se fosse uma cidade maior, não poderíamos contar com esta vantagem”, completa Guilherme.

No entanto, quando pensam em opções de cultura e lazer, ficam bastante descontentes. Bruna conta que investe no projeto de formação de uma banda em que é a vocalista. Guilherme também gosta de música. Ele toca violão e teclado. Por esta afinidade, consideram que a promoção de festivais de música, nas tardes de sábado e domingo, seria uma boa opção.

Eles destacam o Projeto Guri como ponto positivo na área musical. “Além de ensinar a tocar instrumentos e a cantar eles também fazem acompanhamento escolar”, diz Bruna.

A jovem mora no bairro Cidade Jardim e afirma que nas imediações não há nenhuma praça, o que seria interessante para o bairro. Guilherme reside no Jardim Industrial, bairro que segundo ele a pavimentação asfáltica está toda remendada.

Os estudantes, que pretendem ingressar na carreira militar, afirmam que consideram a Praça da Matriz como um grave problema do município. Observam que além de estar mal conservada também é comum ver jovens usando drogas. “Alguma medida urgente precisa ser tomada”, considera Guilherme.

 

Calma típica do interior

 

Isabela Dallalio Lagoeiro, de 15 anos, Isabella do Lago Zenni, 15, e Vitor Anastácio da Silva, 17, estudam no Ensino Médio da Coeba. As meninas cursam o 2º ano e Vitor o 3º. Os três consideram que é possível viver com liberdade e qualidade de vida no município.

Isabela Lagoeiro classifica Bariri como uma cidade com a calma típica do interior e Isabella Zenni considera o município muito acolhedor.

Vitor afirma que Bariri vive um bom momento, com a economia aquecida, em expansão e valorização imobiliária. No entanto, critica que a cidade não conta com a infra-estrutura necessária para absorver o crescimento. “Precisa ser um crescimento organizado, para evitar problemas no futuro”, reflete.

Ele também pede medidas aos órgãos competentes para minimizar os fortes odores, poluição e fuligem emitidos por indústrias da cidade. “Temos que pensar na nossa saúde. A cidade é muito poluída. E, quando chegamos no trevo de Bariri, é impossível suportar o mau cheiro”, aponta.

E vai mais além. Ele visualiza a cidade de Bariri com forte potencial turístico, o qual deveria ser incrementado. Outro ponto falho, segundo o jovem, é a saúde pública, que classifica como uma “violência”.

Vitor e as estudantes acrescentam que em Bariri faltam opções de lazer e cultura e que a Praça da Matriz é atualmente um ponto de encontro para usuários de droga. “Acho que este problema tem que ser barrado no início. Caso contrário tomará uma dimensão fora do controle”, afirmam os jovens.

As estudantes destacam que a cidade deveria criar estratégias para aumentar as oportunidades de empregos a jovens com curso superior. Isto porque, como elas observam, muitos estudantes ingressam em universidades em outros municípios e não retornam a Bariri por não terem oportunidades de crescimento.

Isabela Lagoeiro pretende ser engenheira civil, Isabella Zenni projeta ser médica e Vitor engenheiro químico.

 

Nossa terra

 

Uma cidade com praças bem cuidadas, que atraia novas empresas, com boas oportunidades de emprego e eventos culturais periódicos são os desejos dos estudantes Mariana Aline de Paula, de 16 anos, e Caio Antonio Salomão, 15. Eles cursam o 2º ano da Escola Estadual Idalina Vianna Ferro. 

Mariana pretende cursar Psicologia, Filosofia ou Direito e Caio afirma que decide se irá prestar vestibular para Direito ou Engenharia Civil.

Eles contam que em Bariri tiveram uma infância saudável, tranquila, com brincadeiras na rua e muitos amigos. No entanto, agora como jovens, sentem falta de mais agitação e atividades inovadoras.

Além disso, Mariana considera que as oportunidades de trabalho aos adolescentes são limitadas. “A maioria dos empregos para meninos é como office boy e para meninas como secretaria”, completa.

Caio afirma que Bariri deveria ter um Boliche, pois é uma atividade de lazer que agrada muito aos jovens. Mariana sugere encontro de bandas, oficinas de teatro, desenho, música, dança e a realização de mais campeonatos esportivos.

“Bariri é uma cidade ideal para aposentados. Não vemos muitas oportunidades e pretendemos mudar para outra cidade”, revelam.

Os alunos da escola Idalina também acreditam que a Prefeitura deveria investir no Clube Municipal, pois a sua estrutura, segundo eles, é bastante precária. “Para ter uma ideia é preciso levar a bola para poder jogar futebol”, conta Mariana.

Os dois consideram os locais que vivem - Mariana mora no Santa Luzia e Caio no Santa Clara - bons, tranquilos, mas reclamam da sujeira provocada por caminhões de olarias que passam todos os dias em seus bairros. Eles sugerem que uma outra rota, não residencial, seja criada para o transporte das olarias. “São atitudes simples que fazem uma grande diferença. Este é um problema que há um bom tempo incomoda muita gente”, completam.

 

Visão política

 

Para os estudantes Nádia Farah, de 17 anos, e Gabriel Felipe Facin, 17, alunos do 3º ano do Ensino Médio da Escola Estadual Ephigênia Cardoso Machado Fortunato, a imagem de Bariri ficou bastante prejudicada em toda a região devido à crise política enfrentada.

Eles consideram que os escândalos políticos e o “entra e sai” do prefeito prejudicaram o andamento de projetos.

Os jovens afirmam que faltam iniciativas culturais na cidade, especialmente apresentações de teatro e música. “A cidade não tem um espaço adequado para a realização de eventos culturais. Os governantes deveriam pensar e investir nesta ideia”, diz Gabriel, que pretende cursar Relações Públicas.

Nádia, que vai concorrer a uma vaga no curso de Medicina, afirma que no mês de aniversário do município são realizadas várias atrações, no entanto, nos outros meses, as atividades de cultura e lazer são deixadas de lado.

O estudante também sente falta de uma Faculdade na cidade. Ele acredita que o município tem porte suficiente para acolher uma unidade de cursos superiores.

Ambos residem na região central do município e também destacam o problema de marginalização e drogadição na Praça da Matriz. “Hoje estamos meio receosos de frequentar a praça da Matriz. No tempo de nossos pais era muito diferente e melhor”, avalia Gabriel.

Os jovens conciliam os estudos na escola Ephigênia, no período da manhã, com cursinho preparatório para o vestibular à noite, em escolas particulares de Jaú. Eles elogiam o projeto do poder Executivo que custeia 60% do valor do transporte.

Ao serem questionados como esperam encontrar Bariri no futuro, Gabriel e Nadia afirmam que desejam uma cidade com maiores e melhores oportunidades a todos os cidadãos.

 

Fonte: Jornal Candeia - Juliana Campos

 

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