Sex, 03 de Fevereiro de 2012 15:59
Uma informação chama a atenção, na página referente à Bariri, no Portal Transparência, lançado pela Controladoria Geral da União (CGU) para consulta pública dos convênios firmados entre Governo Federal, municípios e entidades.
Com as obras paralisadas há pelo menos 10 anos, o prédio do Hospital São José, construído ao lado da Santa Casa de Misericórdia de Bariri, figura como beneficiário de dois convênios que somam R$ 1.150.000,00. Os recursos são destinados ao término das obras, que como todos sabem, continuam inacabadas.
Segundo a planilha divulgada no site, o primeiro repasse, no valor de R$ 550 mil, foi feito em 1999, já o segundo, foi efetuado em 2001 no valor de R$ 600 mil. Lá consta ainda que os recursos foram liberados e a prestação de contas efetuada e aprovada.
Óbvio que a informação esquenta a polêmica em torno do prédio, chamado de “elefante verde” e visto por muitos moradores como um “estorvo” na área central da cidade. Políticos, entidades e toda a sorte de agremiações já tentaram, ao longo desses anos, apresentar proposta que pudesse efetivar a conclusão e utilização do Hospital São José.
O Candeia já publicou dezenas de matérias referentes a esse assunto. Mas, até agora nada se concretizou e o edifício continua lá, impávido e, aparentemente, interminável. Por isso, a informação do Portal Transparência dando conta de que R$ 1.150 milhão foi destinado para a conclusão da obra, trouxe o tema de volta ao centro dos debates.
Para saber sobre o assunto, o Candeia conversou com o médico Moacir Elias Jorge, Integrante da Irmandade e diretor Clínico da Santa Casa na época. Ele inicia a conversa reparando o valor repassado. Segundo ele, a Santa Casa recebeu na época R$ 850 mil e não R$ 1.150.000,00. “Se houve mais R$ 300 mil, esse valor não chegou para a Santa Casa”, afirma.
De acordo com médico o dinheiro enviado para a conclusão das obras foi utilizado para reformas estruturais internas exigidas na época pela Vigilância Estadual. “O provedor na época (Lázaro Duarte) recebeu uma lista de inconformidades existentes na estrutura do prédio e que se não fossem solucionadas a construção não receberia a autorização para funcionar”, conta.
O reboco interno precisou ser substituído, janelas ganharam 10 centímetros (cm) a mais e passaram de 60 cm para 70 cm. O mesmo aconteceu com as portas dos quartos que tiveram seu vão aumentado de 80 cm para 1 metro. “Toda a fiação elétrica foi passada, foi montado o berçário normal e patológico além da aquisição de todos os equipamentos que seriam utilizadas na cozinha do prédio, na época foi investido mais de R$ 400 mil na compra dos equipamentos para a cozinha”, explica.
O novo prédio tinha 80 camas acompanhadas com o criado mudo tudo de inox todo material de primeira que de acordo com o médico estava guardado no porão do prédio em construção. “Não posso dizer se esses equipamentos foram ou não utilizados, estou afastado da Irmandade há oito anos”, justifica. Ele conta ainda que parte do dinheiro também foi utilizado para colocar as pastilhas verdes do lado externo do prédio.
O diretor afirma que os recursos eram transferidos gradativamente, através de parcelas, e que o restante da verba só era liberado, mediante prestação de contas dos repasses anteriores. Segundo ele, todos os procedimentos foram aprovados pelo Ministério da Saúde. “O que prova que não houve irregularidades na aplicação desses recursos”, pondera.
Ainda de acordo com Moacir Jorge, depois da chegada do R$ 850 mil a Santa casa tinha a promessa do Ministério da Saúde de que seria enviado mais R$ 3 milhões, dinheiro suficiente para concluir a obra. “Como não integro mais a equipe, não sei a razão desse novo convênio não ter sido efetivado”, completa.
Fonte: Jornal Candeia. Colaborou: Wagner Carvalho