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Jornal Candeia

Araraquara: Carta é prova de que advogado sabia de celulares em muletas

Documento apreendido na Penitenciária de Araraquara cita esquema. Delegado diz que acusado recebia até R$ 8 mil para encaminhar aparelhos.


(Clique para ampliar)

Uma carta encontrada dentro da Penitenciária de Araraquara (SP) indica que detentos tinham conhecimento do ingresso de celulares na unidade. Para a polícia, as quatro páginas são uma prova de que Roberto Fiore sabia que os aparelhos estavam escondidos nas muletas, que seriam entregues a um preso no Fórum da cidade na última segunda-feira (27).

A carta apreendida foi escrita por presos que fazem parte de uma facção criminosa que age no Estado de São Paulo. Nela, há indicação de que advogados fazem parte de um esquema para entrega de celulares. Cada aparelho valeria R$ 4mil. A expressão ‘sintonia dos gravatas’ significa essa atuação.

“Nós verificamos que teria um advogado com a função de sintonia, que seria a função de levar informações das pessoas do interior da penitenciária para os membros dessa organização que estariam na rua”, diz o delegado Fernando Bravo, da Delegacia de Investigações Gerais (DIG).

Nas quatro páginas da carta encontrada há uma orientação para o que chamam de ‘batismo’, o ingresso de mais 18 homens na facção e como seriam distribuídos na penitenciária. Para a polícia, a carta tem relação com o que aconteceu na segunda-feira no Fórum da cidade, quando o ex-presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Araraquara, Roberto Fiore, de 43 anos, foi flagrado tentando entregar a um preso a muleta com seis aparelhos celulares e carregadores escondidos.

“Detectamos que o advogado foi o responsável por confeccionar a muleta, levou a muleta até o Fórum e usou uma senhora que foi chamada por ele até o local para tentar entrar. Mas como ela foi impedida de subir no andar superior onde se encontrava o preso, ele pegou as muletas e tentou entregá-las”, afirma o delegado.

Detido em prisão domiciliar, o advogado nega o crime e afirma que se tivesse a intenção de cometer ou facilitar o crime jamais entregaria o material nas mãos da Polícia Militar. “Eu tentaria entregar para a pessoa que é o destinatário. E depois eu não ia ficar andando simplesmente pelo Fórum, tanto que eles me encontraram lá dentro, trabalhando. Não era uma atitude de quem estaria cometendo um crime”, declarou.

O vice-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Araraquara, Jorge Bedram, explicou que ainda não sabe se a entidade vai tomar alguma medida contra o profissional. Segundo ele, o advogado pode ser julgado por uma comissão interna. “Existem vários tipos de penalidades, que vão desde uma advertência até a exclusão do quadro da Ordem”, disse.

 

Aparelhos celulares e carregadores estavam escondidos dentro da muleta (Foto: Felipe Turioni/G1)Testemunhas

O delegado que investiga o caso afirma que duas testemunhas confirmaram que o advogado é o responsável pelo plano de entrega das muletas com os celulares. Para a polícia, apesar de Fiore negar ser advogado de membros da facção criminosa, existem provas que contradizem isso.

“Nós estamos tentando ainda identificar todas as pessoas que tiverem envolvimento com esses fatos e identificar quem seriam os destinatários finais e as pessoas que seriam batizadas também pela facção”, relata Bravo.

Ainda segundo o delegado, o advogado receberia até R$ 8 mil para entrar com os celulares. “Só não sabemos ainda se era pelo serviço ou por cada celular”, explica.

 

Estado

Em nota, a Secretaria da Administração Penitenciária informou que todas as unidades prisionais do estado têm aparelhos de Raio-X e detectores de metal que ajudam a coibir a entrada de equipamentos e drogas. Além dos equipamentos, são feitas revistas periódicas nos presídios.

 

Advogado é acusado de tentar passar celulares para detento (Foto: Reprodução/EPTV)Perfil

Roberto Fiore ficou conhecido na cidade por sua atuação e defesa pelo direito dos presos. Ex-presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Fiore deixou a comissão em 2010 após seis anos de atuação. Em 2006, quando uma grande rebelião que envolveu 1, 8 mil presos destruiu completamente a Penitenciária de Araraquara, o advogado foi o principal interlocutor entre os detentos.

 

G1

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